Veja o que se sabe sobre os dois detentos do AC que fugiram do presídio federal de Mossoró


Ambos têm extensa ficha criminal e um deles é apontado como um dos criadores de facção criminosa no Acre, em 2013. Os dois estão foragidos desde a última quarta-feira (14) em Mossoró (RN). Esta é a primeira fuga em presídios federais do Brasil. Os detentos Deibson Cabral Nascimento (à esquerda) e Rogério da Silva Mendonça fugiram da Penitenciária Federal de Mossoró (RN) Reprodução Os foragidos Deibson Cabral Nascimento, de 33 anos, e Rogério da Silva Mendonça, de 35, que escaparam da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, na última quarta-feira (14), têm longas fichas criminais que vão de roubos a sequestros, latrocínios e envolvimentos com organizações criminosas. Os dois são ligados ao Comando Vermelho, facção de Fernandinho Beira-Mar, que também está preso na unidade federal de Mossoró. Deibson, inclusive, é apontado como um dos primeiros integrantes da facção criminosa no Acre, em 2013, segundo o promotor de Justiça do Ministério Público do Acre (MP-AC) Bernardo Albano, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Esta foi a primeira fuga registrada na história do sistema penitenciário federal, criado em 2006, que atualmente conta com cinco presídios de segurança máxima. A recaptura dos presos é a prioridade das forças de segurança nacionais e estaduais do Rio Grande do Norte, segundo o secretário nacional de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia. Nesta reportagem, você vai ler: Quem é Rogério da Silva Mendonça? Quem é Deibson Cabral Nascimento? Desde quando eles estavam presos? Como foi a fuga no RN? 1. Quem é Rogério da Silva Mendonça? Rogério da Silva Mendonça, conhecido como Querubin, tem 35 anos e é condenado a 74 anos de prisão. Ele é natural de Sena Madureira, no interior do Acre e responde a mais de 50 processos, entre os quais crimes de homicídio e roubo. Segundo o Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC), Rogério Mendonça passou por todos os presídios do Acre e foi transferido todas as vezes por mau comportamento e tentativas de fuga. O Acre tem seis unidades prisionais, sendo uma de segurança máxima. Histórico de crimes de Rogério da Silva Mendonça, o Querubim, fugitivo da penitenciária de Mossoró. GloboNews/Reprodução Em 2015, a Unidade Penitenciária Evaristo de Moraes, em Sena Madureira, no interior do Acre, pediu a transferência do detento Mendonça para um presídio federal. Ele foi mandado para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, por 360 dias. Também conforme o Iapen, Rogério já possuía histórico de violência contra agentes penitenciários e já era classificado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) como de "altíssima periculosidade". Histórico de crimes de Rogério da Silva Mendonça, o Querubim, fugitivo da penitenciária de Mossoró. GloboNews/Reprodução Dentre as penas, ele foi condenado a 32 anos, 7 meses e 20 dias de reclusão pela morte do adolescente Taylon Silva dos Santos, de 16 anos, em abril de 2021, em Sena Madureira, no interior do Acre. Segundo as investigações da Polícia Civil, ele e outro detento teriam ordenado o homicídio de dentro da prisão. O adolescente seria da mesma facção dos suspeitos e teria ofendido um dos envolvidos na execução. "Foi por um motivo fútil. O menor fez um comentário que não agradou um deles, que estava preso, chamou ele de alguma coisa. Teve uma espécie de julgamento sumário e deram um tiro na cabeça dele", disse na época o então delegado do caso, Marcos Frank. 2. Quem é Deibson Cabral do Nascimento? Histórico de crimes de Deibson Cabral Nascimento, o Tatu, fugitivo da penitenciária de Mossoró. GloboNews/Reprodução Deibson Cabral Nascimento, também conhecido como "Tatu" ou "Deisinho", tem 33 anos, é natural de Rio Branco (AC) e tem seu nome ligado a mais de 30 processos, nos quais responde pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e roubo. No total, tem 81 anos de prisão em condenações. De acordo com o promotor Bernardo Albano, do Gaeco, Deibson é um dos fundadores do Comando Vermelho no Acre, no final de 2013. A constatação está em relatório de inteligência do MP-AC, que aponta que ele tem certo grau de liderança na facção, apesar de estar mais voltado às atividades operacionais, como fuga e prática de crimes. "As evidências indicam que o Deibson foi um dos primeiros a serem cooptados por essa organização criminosa no estado do Acre, tendo ingressado no final do ano de 2013", disse. "Ambos são criminosos de alta periculosidade, com um vasto histórico de práticas de crimes violentos, diversos roubos, latrocínios, extorsões, além de integrarem a organização criminosa". O Iapen-AC confirmou ao g1 que Deibson foi o primeiro detento do Presídio de Segurança Máxima Antônio Amaro Alves a fugir da unidade enquanto era levado a um atendimento médico com mais três presos. A fuga ocorreu em maio de 2014 enquanto os agentes o escoltavam. Quatro detentos fugiram de dentro do veículo que os levava, mas somente Deibson conseguiu de fato escapar. Com Deibson Cabral, foram apreendidos dinheiro em reais e dólares, além de arma municiada durante abordagem em agosto de 2015 Alexandre Lima Outra ação criminosa praticada por ele foi uma tentativa de roubo seguida de morte em Brasiléia, no interior do estado, em agosto de 2015. A vítima reagiu ao assalto, foi atingida a tiros na região da cintura e morreu ao chegar ao hospital da cidade. No mesmo mês, ele foi apontado como principal suspeito pelo sequestro de uma família no município de Filadélfia, na Bolívia. Na ocasião, Deibson exigiu 50 mil dólares para liberá-los. O então delegado de Brasiléia na época, Sérgio Lopes, confirmou ao g1 que Deibson fez a família refém até à fronteira. Ele foi preso na casa de um morador do município, após quase um ano foragido em razão da fuga do presídio Antônio Amaro. Com ele, apreenderam uma arma calibre .38 com munições, cerca de 9 mil dólares e uma quantia em reais. Deibson Cabral do Nascimento foi preso no fim de agosto de 2015 escondido em uma residência em Brasiléia, no interior do Acre Alexandre Lima 3. Desde quando eles estavam presos? Rogério e Deibson estavam reclusos na Penitenciária Federal de Mossoró, na região Oeste do Rio Grande do Norte, desde o dia 27 de setembro de 2023, quando foram transferidos após participarem de uma rebelião no presídio de segurança máxima Antônio Amaro, em Rio Branco, que resultou na morte de cinco detentos - três deles decapitados. Os dois criminosos que fugiram de um presídio federal no Rio Grande do Norte na manhã desta quarta-feira (14) já tentaram escapar juntos, em 2013, do Complexo Penitenciário Francisco de Oliveira Conde, no Acre, apontam documentos sigilosos do sistema prisional do Acre, obtidos pela GloboNews. Com pedaços das grades e alguns lençóis, eles improvisaram uma escada para tentar fugir pelo teto. A fuga foi frustrada por agentes que notaram a movimentação nas celas. Nos documentos, é possível ver (abaixo) o buraco feito nas grades das celas pelos criminosos. Deibson Cabral e Rogério da Silva já tentaram fugir pelo teto do presídio de Rio Branco em 2013 Reproduçaõ/GloboNews Ao g1, a assessoria de imprensa do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC) ressaltou que sobre a fuga de quarta-feira (14), os detentos estavam sob responsabilidade da unidade federal, e que todas as informações sobre os dois fugitivos já estavam à disposição por meio da ficha deles. Sobre a rebelião em 2023, o Iapen também confirmou que ambos tiveram participação direta em todo o ocorrido. "Quanto ao detalhamento, foi feito pelo Ministério Público na denúncia oferecida ao Judiciário e o caso ainda é investigado pela Polícia Civil", informou. Fugitivos de Mossoró já haviam tentado fuga juntos em 2013 serrando ferro de cela em presídio do AC Ligação com facção criminosa e dezenas de processos: quem são os 2 foragidos de presídio de segurança máxima em Mossoró Ministério da Justiça desconfia que obra em penitenciária federal tenha favorecido fuga de presos 4. Como foi a fuga no RN? De acordo com o Ministro da Justiça, Ricardo Lewandoski, os problemas no planejamento de uma reforma do presídio e o descuido com materiais de construção foram fatores cruciais para a execução da fuga. Fugiram por falhas no teto: A fuga foi realizada, inicialmente, pela luminária da cela, segundo o ministro. O movimento foi facilitado por falhas no revestimento ao redor da luminária. Em vez de o teto ser revestido por concreto, foi realizado um trabalho comum de alvenaria. Passaram pelas tubulações: quando os detentos conseguiram sair pela luminária, de acordo com o ministro, eles entraram para o shaft -- parte onde ficam as tubulações --, e de lá conseguiram acessar o teto. A pasta afirmou que não havia nenhuma grade ou proteção, detalhe que faz parte do planejamento de construção. Utilizaram ferramentas de construção: quando os criminosos ultrapassaram esses obstáculos, foram encontradas ferramentas usadas para a reforma do presídio. O ministro ainda relatou que os presos se depararam com um tapume de metal que protegia o local reformado, ultrapassaram a área e cortaram com um alicate as grades da penitenciária. Mapa da Penitenciária Federal de Mossoró. Arte g1 A fuga foi filmada e há imagens deles cortando alambrados, segundo o corregedor do presídio, Walter Nunes. Contudo, parte das câmeras de segurança não estavam funcionando no momento da fuga. O corregedor não detalhou quantas estavam operando. Não há informações se havia alguém esperando do lado de fora da penitenciária para resgatá-los e sobre quantos agentes penitenciários atuavam na unidade no momento da fuga. O corregedor do presídio, juiz Walter Nunes, afirma que caso os protocolos de segurança tivessem funcionado, a fuga não teria acontecido. "Houve, sim, uma falta de observância do protocolo, até porque, ainda que fosse uma hipótese de uma perfuração de qualquer que fosse a parte da cela, naturalmente isso demandaria tempo", disse. Forças de segurança procuram fugitivos da penitenciária de Mossoró (RN)

source https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2024/02/16/veja-o-que-se-sabe-sobre-os-dois-detentos-do-ac-que-fugiram-do-presidio-federal-de-mossoro.ghtml
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