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VÍDEO: Professor segura filho de aluna durante aula para que ela possa estudar


Jailson Fernandes dava aula de Língua Portuguesa quando colocou o pequeno Pedro nos braços. A mãe da criança, de 17 anos, está retornando à escola após a gravidez e enfrenta desafios. O professor dá aula tranquilamente enquanto segura Pedro nos braços. O gesto de empatia do professor Jailson Fernandes transformou o dia da estudante Érica Silva. Mãe aos 17 anos, ela tem enfrentado dificuldades no retorno à escola. Durante a aula de Língua Portuguesa, Jailson segurou o filho de sete meses da aluna para que ela pudesse estudar de forma mais tranquila. O vídeo viralizou durante a semana no Ceará. 'Foi algo bem natural. Quando vi ela com um bebê no colo na mesa dela se mexendo e ela sem conseguir acompanhar, copiar o conteúdo, instintivamente fui até ela e pedi para segurar o bebê e continuei a explicação da aula', contou ao g1 o professor. LEIA TAMBÉM: Fortaleza lidera como capital com maior investimento para juventude; saiba os impactos Bolsa Jovem segue com inscrições até 30 de novembro em Fortaleza; veja como participar O momento foi gravado em uma escola pública do município de Pires Ferreira, que fica a cerca de 230 quilômetros de Fortaleza. Jailson é pai de uma criança de um ano e explica que esse fator também pesou na hora em que decidiu apoiar a estudante: ‘Eu sei o sacrifício que é para os pais cuidar dos filhos, principalmente para a mulher e especialmente para uma aluna de ensino público, que não tem ainda uma estabilidade financeira, uma base, tem 17 anos. Foi um momento de empatia', comentou. O apoio vem de todos os lugares. Érica Silva, mãe do pequeno Pedro, disse que suas amigas também cuidam da criança quando ela precisa copiar algo em seu caderno ou realizar outra atividade. 'No momento em que o professor pediu para segurar o meu filho, eu me senti acolhida, feliz', relembrou. Érica disse que deve continuar levando o pequeno para as aulas. Arquivo pessoal Neste novo momento da vida, é preciso dar aquele ‘jeitinho’ para conciliar todas as responsabilidades — o que é complicado, ela não nega, principalmente agora que a criança está em fase de amamentação. "Tem sido um pouco difícil. Meu filho às vezes fica zangadinho e não consigo prestar atenção. Minha amiga me ajuda. Às vezes saio para dar uma voltinha com ele. Está sendo difícil, mas com a ajuda dos professores e colegas consigo prestar um pouco de atenção", conta a estudante. Agora, a adolescente pensa em focar na família e continuar estudando. Ela conta com a ajuda dos pais, sogros e de seu companheiro. O sonho é de, um dia, trabalhar com a área de tecnologia. Na imagem, Érica e o filho. Arquivo pessoal A redação do Enem em um vídeo O professor mostra o filho de um ano. Arquivo pessoal Jailson dava aula de redação quando o vídeo foi gravado. O professor de português aproveitou para refletir com o g1 como o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano (Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil) estava, também, resumido naquele vídeo. 'Tem a experiência de eu ver minha esposa, que além de se dedicar para o trabalho, tem que se dedicar ao nosso filho. Essas mulheres, essas mães, tem todo um trabalho não valorizado, invisível aos olhos da população. É importante a gente refletir sobre isso. Essa é a maternidade real, sem romantizar', debateu Jailson Fernandes. Ainda de acordo com o professor, é preciso também pensar sobre a adaptação da educação brasileira às novas realidades. Como as escolas e demais instituições se preparam para receber estudantes que se tornam mães ou pais ao longo do período escolar? De acordo com o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), entre as mães adolescentes no Ceará, a maioria não chega a ingressar no ensino médio, ou completar, antes de terem seus filhos - situação esta que Érica luta contra. 'Em 2019, de 18.731 nascidos vivos, 71% (13.279) eram de mães com ensino fundamental completo. Considerando que, em 2022, houve uma redução de 28% destes nascidos vivos (em comparação com 2019), esta proporção de mães adolescentes, com tal nível de escolaridade, passou representar quase 80% (10.647) dos 13.433 nascidos vivos, em 2022', mostram dados do Governo do Ceará. "Às vezes a realidade é aquela: não tem estrutura, não tem rede de apoio para conseguir voltar a estudar. Ali, naquele vídeo, é um momento de debater sobre isso e mostrar essa realidade que às vezes muita gente não enxerga", apontou o professor Jailson. Com o vídeo viral, a mensagem que o educador quer deixar é a da empatia, mas também da reflexão. E, para ele, tudo começa quando discutimos o lugar do professor: "Muitas vezes, a gente não recebe o real reconhecimento que nossa profissão merece. O vídeo traz uma realidade que muitos professores estão passando e passam", concluiu. Gravidez precoce ainda chama atenção Gravidez na adolescência e sala de aula. Reprodução/Bom Dia Brasil O tema da gravidez antes da fase adulta ainda chama atenção. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a gravidez na adolescência se caracteriza quando ocorre entre os 10 e os 20 anos de idade. O Brasil tem uma taxa média de 400 mil casos de gestação na adolescência por ano, uma das mais altas do mundo. Em Fortaleza, conforme dados da prefeitura, houve uma diminuição no número de nascidos de mães nessa faixa etária. Veja: Conforme dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), em 2016, dos 37.454 nascidos vivos na Rede Municipal de Saúde, 5.989, equivalente a 15,9% do total, foram de mães adolescentes. Já em 2021, dos 31.360 nascidos vivos, 3.559 eram de mães adolescentes, 11,2% do total. Formas de prevenção e cuidados📌 A iniciativa do Ministério da Saúde (MS), com o eixo Direitos Sexuais e Reprodutivos e Prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), trabalha a prevenção da gravidez divulgando métodos contraceptivos. Os materiais são recebidos nas unidades de saúde e as informações sobre o uso são transmitidas aos adolescentes. Os postos ofertam camisinhas de forma gratuita, fazem o acompanhamento do pré-natal dessas adolescentes e promovem grupos de apoio para gestante. Existe atendimento especializado no Hospital Gonzaguinha da Messejana, com o projeto Sigo-Adolescente, que pretende dar atenção as adolescentes considerando as condições de saúde física, mental, social e cultural, pré-natal e o acompanhamento a fim de evitar a reincidência de uma nova gestação. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta de maneira gratuita nove métodos contraceptivos que ajudam no planejamento familiar. São eles: anticoncepcional injetável mensal; anticoncepcional injetável trimestral; minipílula; pílula combinada; pílula anticoncepcional de emergência (ou pílula do dia seguinte); Dispositivo Intrauterino (DIU); preservativos. Dica: 💡 Aproveite para ouvir, abaixo, o episódio de O Assunto, podcast do g1, sobre economia do cuidado. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

source https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2023/11/18/video-professor-segura-filho-de-aluna-durante-aula-para-que-ela-possa-estudar.ghtml
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