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Políticas públicas para juventude buscam driblar desafios como violência e crime organizado em Fortaleza


Os problemas de segurança pública disputam territórios com as iniciativas que colocam os jovens como protagonistas. Políticas públicas para juventude buscam driblar desafios como violência e crime organizado em Fortaleza. Ismael Soares/SVM Em 2003, Fortaleza criou o dia municipal da Juventude, comemorado em 12 de agosto. Nos últimos 20 anos, a capital presenciou avanços nesta área como criação de equipamentos, projetos, programas e também uma secretaria municipal específica aos jovens. Contudo, problemas sociais, como a violência e jovens cooptados pelo crime, ainda disputam espaços com as políticas públicas de desenvolvimento. “Eu acho que o grande desafio que a gente tem é a questão da violência, da segurança. A gente precisa de medidas estratégias, enérgicas, com relação a isso, ao crime organizado”, declarou o secretário da Juventude de Fortaleza, Davi Gomes. LEIA TAMBÉM: Fortaleza lidera como capital com maior investimento para juventude; saiba os impactos nas vidas dos jovens Jovens que estudam e trabalham falam sobre a rotina para conciliar a escola e o emprego: 'A gente precisa fazer esse sacrifício' Entre janeiro e outubro deste ano, 3.653 jovens entre 18 e 29 anos foram presos em Fortaleza. Durante o mesmo período, 1.242 adolescentes de 15 a 17 anos foram apreendidos na capital. Já com relação aos óbitos, 32 adolescentes entre 15 e 17 anos foram assassinados. A capital também registrou crimes violentos que resultaram na morte de 291 jovens entre 18 e 29 anos no mesmo período. Os dados foram repassados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS). “A gente precisa fazer um pacto federativo, do Governo Federal, do Estado, dos municípios, para que a gente entenda como essa violência está matando os jovens na cidade. O jovem morre nas nossas comunidades”, complementou o secretário. Rutenio criou o 'Pensando Bem' visando mudar a vida dos jovens na periferia de Fortaleza. A avaliação do secretário é compartilhada por Rutenio Florencio, criador do Instituto Pensando Bem, no Bairro Vila Velha. “Eu sou um defensor das pequenas práticas dentro da favela, dos pequenos lugares de grande impacto. Felizmente, nossa cidade hoje é referência, mas a gente ainda tem vários problemas. Um deles é a questão da territorialização. Um jovem que mora em um local não pode ir para outro que, às vezes, é só duas ruas distantes da casa dele”, disse. “Às vezes, a gente quer fazer um projeto muito massa, mas o jovem de outro local não pode entrar lá, e acaba ficando sem fazer nada. Acho importante a gente desenvolver locais que nem o Beco do Céu; pequenos locais dentro da favela, com investimento bem usado, de transformação de dentro para fora”, complementou Rutenio. IDH dos bairros de Fortaleza com equipamentos da Juventude. Louise Anne/SVM O ‘Céu no ‘Inferninho’ Rutenio Florencio, criador do Instituto Pensando Bem, na periferia de Fortaleza. Thiago Gadelha/SVM No entanto, Fortaleza tem como buscar referências de combate a essas realidades olhando para dentro. É o caso do Instituto Pensando Bem, que carrega o lema “transformando a favela de dentro para fora”. Rutenio explicou que o Pensando Bem surgiu após ele perder um amigo de forma trágica — assassinado. “Eu comecei a me perguntar porque eu estou vivo, e ele está morto. São perguntas que faço todos os dias. Eu percebi que, para mudar o presente, a gente precisa começar com partes mais 'fáceis'. Com isso, a gente começou com as crianças. Atualmente, a gente trabalha com esporte e educação para crianças e adolescentes”, explicou. O instituto revitalizou um beco na Travessa Artur Borges, no Bairro Vila Velha. As paredes sujas e desgastadas deram lugar aos murais coloridos e às estruturas disponíveis à comunidade. O contraste do cenário se reflete, inclusive, no nome do local. O “Beco do Céu” virou um novo cenário na “Favela do Inferninho”, como é popularmente conhecida a comunidade. Beco do Céu antes e depois da revitalização feita pelo Instituto Pensando Bem, na Favela do Inferninho, em Fortaleza. Initial plugin text A associação, então, desenvolveu um projeto chamado Jovem Carcará, dedicado a qualificação profissional de jovens. “Esse beco era totalmente abandonado, e rodeado de jovens na criminalidade. Com o Jovem Carcará, a gente mudou essa história”, disse Rutenio. Ele disse que, trabalhando com as crianças, o instituto conseguiu chegar aos adultos como pais, irmãos mais velhos e responsáveis do público mais novo. “[Alcançar] os jovens sempre foi um grande problema para a gente. Principalmente, porque somos um bando de jovens, cada um liderando”, disse. Rutenio informou que o instituto nunca participou diretamente de projetos ou editais da Juventude, mas promove mutirões de inscrições nos programas, como o Bolsa Jovem. Rutenio Florencio criou o Insituto Pensando Bem em 2020. “Hoje, o jovem para gente é uma urgência, porque é quem está em um 'espaço de tempo' que a gente esquece. Mas, em um piscar de olhos, ele pode fazer algo que pode mudar muita coisa”, complementou. “É óbvio que o jovem precisa sair, mas precisa estar preparado para sair. Não tem como pensar na liberdade do jovem, sem pensar no território dele”, destacou Rutenio. Crescimento de oportunidades Professora da UFC, Celecina Veras é pesquisadora de juventude. Kid Junior/SVM A doutora em Educação Celecina Veras reforça a necessidade de atenção às questões de segurança pública, mas destacou que os problemas relacionados à juventude em Fortaleza também estão no campo educacional e trabalhista. “Nós temos muitos jovens sendo mortos; a questão da violência é muito forte. Nós percebemos que há muitos jovens envolvidos em facções, gangues. Quando a gente se depara com essa realidade, percebemos que ainda precisamos de muitas políticas públicas para a juventude”, disse a professora da Universidade Federal do Ceará (UFC). “A partir de diversos estudos que a gente tem feito, a gente pode pensar que, embora exista política pública de juventude, o que a gente vê ainda de realidade sobre a juventude em Fortaleza? Ainda temos um número muito grande de jovens que não estudam, nem trabalham”, complementou a pesquisadora em juventude. Conforme o IBGE, o Ceará registrou 606 mil jovens entre 15 e 29 anos que não trabalhavam nem estudavam em 2022. O órgão não disponibiliza dados específicos sobre os municípios. Avanços nas oportunidades aos jovens são apontados por especialistas como solução para problemas sociais. Ismael Soares/SVM O secretário Davi Gomes comentou a necessidade de ampliar as oportunidades de emprego aos jovens, inclusive em parceria com a iniciativa privada. “A gente ainda tem muita dificuldade de encaminhamento desses jovens para o mercado de trabalho. Ainda tem muito receio da iniciativa privada com relação à contratação de jovens. A gente precisa ampliar a capacitação desses jovens. O jovem estando empregado ou fazendo empreendedorismo, tem menos chance dele ir para a criminalidade”, disse. “Um segundo ponto é algo que já estamos fazendo, mas precisa ser ampliado que é a pulverização da política pública. Por exemplo, a gente faz isso com a Rede Juv, que é outra rede que a gente criou; são equipamentos menores que os Cucas, mas que chegam em comunidades bem específicas porque nossa cidade ainda está muito dividida devido aos conflitos territoriais”, avaliou Gomes. A Rede Juv é um dos projetos da Juventude de Fortaleza, com equipamentos de educação, esporte e cultura voltados para jovens. Nela, são ofertados cursos, práticas esportivas e atividades de fortalecimento do protagonismo juvenil e da garantia de direitos humanos. Assim como a Rede CUCA, o público prioritário são os jovens entre 15 e 29 anos, mas também são ofertadas atividades e serviços para o público geral. A Rede Juv conta com equipamentos como a Pracinha da Cultura Ancuri, Pracinha da Cultura Vicente Pinzon, o Centro Cultural Canindezinho, os Faróis da Juventude (Praia de Iracema e Benfica), o Polo da Bela Vista e o Centro de Juventude Igor Andrade de Lima. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará

source https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2023/11/18/politicas-publicas-para-juventude-buscam-driblar-desafios-como-violencia-e-crime-organizado-em-fortaleza.ghtml
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