Aluna com síndrome de Escobar se forma como maquiadora profissional e acumula diplomas: 'nunca baixei minha cabeça'


Adaptações simples em mobílias foram fundamentais para que as aulas tivessem a presença de Maria Canuto de Oliveira, de 30 anos, que tem má formação congênita. Maria e a professora Marina Maria Canuto De Oliveira/ Arquivo pessoal A professora Marina Guadagnini, de 39 anos, e a aluna Maria Canuto de Oliveira, de 30, são exemplos de como a educação pode ser inclusiva e igualitária. A experiência da educadora, que tem deficiência visual, e o desejo da estudante precederam as adaptações simples feitas em mobílias da sala de aula e foram fundamentais para a plena participação da aluna com síndrome de Escobar, uma condição de má formação congênita, em todas as atividades do curso de maquiagem profissional de uma instituição particular de Piracicaba (SP). “A inclusão sempre fez parte da minha vida por diversos motivos. Possuo deficiência visual monocular, enxergo somente de um olho. Isso sempre fez parte da minha própria vida, de como me incluir e adaptar algumas situações, inclusive na maquiagem para conseguir suprir essa necessidade”, afirma Marina. 📲 Acesse a nova comunidade do g1 Piracicaba e fique por dentro das notícias da região Neste domingo (28), é celebrado o Dia Mundial da Educação. Abril também é o mês dedicado à Educação Inclusiva. A formatura foi em dezembro de 2023 e é motivo de orgulho para Maria, agora, maquiadora diplomada. Essa não é a primeira certificação dela e, se depender dos planos, também não será a última. Maria fez cursos de auxiliar administrativo, operador de logística, tem dois diplomas como maquiadora profissional e pretende fazer faculdade de psicologia. Maria durante aula do curso de maquiagem profissional Maria Canuto De Oliveira/ Arquivo pessoal Maria nasceu com Síndrome de Escobar, uma má formação congênita e usa cadeira de rodas para se locomover. “Minha mãe descobriu a condição aos sete meses de gravidez, é de nascença”, relata. “Apesar da limitação, nunca baixei minha cabeça, faço cursos, sempre me aperfeiçoando, independente da minha condição física. Fácil não é. A gente encontra muitos desafios pela frente. Eu sei que tudo vai dar certo e eu ainda vou chegar lá, com fé em Deus. É Deus na frente e nunca desistir dos sonhos”, comenta a maquiadora recém-formada. Maria ainda não trabalha na área da maquiagem, mas pretende ter o próprio negócio no ramo da beleza e estética no futuro. “Foram quatro meses de curso e deu super certo. Gosto de ver as pessoas maquiadas, felizes. Sempre gostei de maquiagem. Sempre usei batom, sombra. É uma coisa que já vem de criança”, conta. A professora Marina Guadagnini comemora a trajetória de sucesso da aluna no curso de maquiagem. “Por mais que eu tenha participado do processo da Maria - e isso seja uma honra para mim - o mérito é 100% dela. A única coisa que eu fiz foi ter um olhar de alguém que acreditava nela para que a Maria acreditasse no que ela é capaz de fazer, do que é possível”, disse. Segundo a educadora, o importante é ter um olhar de dignidade para os outros. “Lidar com pessoas com deficiência passa pelo olhar sobre a potência do outro, que foi o que sempre fiz com a Maria. Nunca limitamos onde a Maria era capaz de chegar porque ela nunca se limitou também”, disse. “Não ter o olhar de dó, de pena, muda 100% a perspectiva de onde a pessoa pode chegar”, comentou. A educadora, que atua como maquiadora há duas décadas e tem 15 anos de docência na área, afirma que entre os maiores desafios está o de fazer com que a sala de aula entenda o que é o capacitismo para não praticá-lo. "É necessário que compreendam o que é inclusão e que abracem esse propósito junto comigo. Mas, eu sou muito abençoada. Em todos os desafios que a gente encontrou, a sala abraçou junto", celebrou. Maria, Marina e integrantes do curso de maquiagem profissional Maria Canuto De Oliveira/ Arquivo pessoal Adaptações Durante o curso, foram feitas pequenas adaptações e até alguns testes com diferentes estruturas, mesas e cadeiras, para que Maria e os outros alunos, que se revezavam como modelos de maquiagem, pudessem participar plenamente e sem prejuízos de todas as etapas e atividades. “Não há nada que com uma adaptação ou outra a gente não consiga fazer”, disse Maria. A preocupação, segundo a professora, era fazer com que a Maria não precisasse sair da cadeira de rodas em nenhum momento. “Queria que ela se locomovesse como sempre faz”, relatou. Um primeiro desafio era como alcançar a modelo em posição confortável para ela e para a aluna maquiadora. A primeira tentativa foi uma maca, que se usa para fazer massoterapia. Não deu certo porque ficou muito baixa. Então, a professora teve a ideia de buscar uma cadeira reclinável que se usa no curso de enfermagem. “É tipo uma poltrona e deita, então essa deu certo”, explicou Maria. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

source https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2024/04/28/aluna-com-sindrome-de-escobar-se-forma-como-maquiadora-profissional-e-acumula-diplomas-nunca-baixei-minha-cabeca.ghtml
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