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Seis escolas fecham nesta segunda-feira o Grupo Especial


Desfilam Mocidade, Portela, Vila Isabel, Mangueira, Tuiuti e Viradouro. Cajus, Alcione e o Almirante Negro são alguns dos destaques. Seis escolas de samba encerram, nesta segunda-feira (12), o Grupo Especial do Rio de Janeiro. A partir das 22h, a Sapucaí será palco de homenagens a Alcione, ao marinheiro João Cândido e até ao caju. Esta 2ª noite tem Mocidade Independente de Padre Miguel, Portela, Unidos de Vila Isabel, Estação Primeira de Mangueira, Paraíso do Tuiuti e Unidos do Viradouro. Cada agremiação terá entre 1 hora e 1 hora e 10 minutos para desfilar. Horários do Grupo Especial do Rio de 2024 Na 1ª noite, saíram Unidos do Porto da Pedra, Beija-Flor de Nilópolis, Acadêmicos do Salgueiro, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos da Tijuca e a atual campeã, Imperatriz Leopoldinense. Baianas da Portela Alexandre Durão/g1 LEIA TAMBÉM: Ya Temi Xoá? Werá auê? Mironga? Entenda o que significam esses e outros termos dos sambas do Grupo Especial de 2024 Quiz: você sabe identificar as bandeiras das escolas de samba do RJ sem cores e sem letras? Milton Cunha vira a voz do Metrô Rio durante o carnaval; ouça! Confira detalhes do enredo de cada escola e veja o que esperar de cada desfile! Mocidade Pede caju que dou... Pé de caju que dá! Que enredo é esse? Milton Cunha explica o enredo da Mocidade Independente A Verde e Branca celebra o caju, um fruto nativo, como símbolo da cultura e da identidade brasileira. O desfile explora a história e a importância do caju, desde seu uso nas tradições populares até sua representação como ícone da tropicalidade brasileira. A escola homenageia também figuras importantes da cultura nacional, como Torquato Neto, e faz referências ao Movimento Tropicalista, utilizando a guitarra em forma de caju como um dos destaques. O enredo se desdobra em uma celebração vibrante das cores, sabores e ritmos do Brasil, com ênfase na alegria e na diversidade cultural do país. Carnavalesco: Marcus Ferreira. Quem vem? Mayara Nascimento, Fernanda Passon, Fabíola Andrade (rainha), Jojo Todynho, Tom Do Cajueiro, Marcelo Adnet, Dill Costa, Luana Fernandes e Aline Mineiro Como virá a escola? Estrutura: 3,2 mil componentes em 25 alas, 5 carros e 3 tripés. 1º casal: Diogo de Jesus e Bruna Santos. Bateria: Mestre Dudu. Qual é o samba? Confira a letra do samba da Mocidade Compositores: Cabeça do Ajax, Lico Monteiro, Gigi Da Estiva, Orlando Ambrosio, Richard Valença, Marcelo Adnet, Paulinho Mocidade, Diego Nicolau, Cláudio Russo. Intérprete: Zé Paulo Sierra. Eu quero um lote saboroso e carnudo Desses que tem conteúdo, o pecado é devorar É que esse mote beira antropofagia Desce a glote, poesia Pede caju que dá Delícia nativa Onde eu possa pôr os dentes Que não fique pra semente Nem um tasco de mordida Aí Tupi, no interior do cafundó Um quiprocó virou guerra assumida Provou porã, provou fruta no pé Se lambuzou, Tamandaré O mel escorre, olho claro se assanha Se a polpa é desse jeito, imagine a castanha Por outras praias a nobreza aprovou Se espalhou tão fácil, fácil E nessa terra, onde tamanho é documento Vou erguer um monumento para Seu Luiz Inácio Nessa batalha teve aperreio Duas flechas e, no meio, uma tal cunhã-poranga Tarsila pinta a sanha modernista Tira a tradição da pista Vai, Debret, chupa essa manga É Tropicália, tropicana, cajuína Pela intacta retina, a estrela no olhar Carne macia com sabor Independente A batida mais quente, deixa o povo provar Meu caju, meu cajueiro Pede um cheiro que eu dou O puro suco do fruto do meu amor É sensual esse delírio febril A Mocidade é a cara do Brasil Portela Um defeito de cor Que enredo é esse? Milton Cunha explica o enredo da Portela A Portela aborda a importância do afeto e da ancestralidade feminina. A história central é de uma mãe negra, uma figura que representa muitas outras ao longo do tempo. Luiz Gama, líder abolicionista, jornalista, poeta e advogado, é quem conta essa história. O enredo é inspirado no romance “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves, que se baseia na carta de Kehinde (Luiza Mahin). Ele retrata a vida dessa personagem e sugere uma nova carta, escrita por seu filho, Luiz Gama. Separado da mãe desde a infância, ele expressa orgulho por sua trajetória e destaca momentos em que o afeto foi crucial. A história representa as experiências de muitas gerações de escravizados e mulheres negras que enfrentam preconceitos até hoje. Carnavalescos: Antônio Gonzaga e André Rodrigues. Quem vem? Tia Surica, Duda Ferreira, Helena Ferreira, Ana Maria Gonçalves, Geórgia Chagas, Wenny Isa, Nilce Fran, Bianca Monteiro (rainha), Alice Alves, Shayene Cesário, Vilma Nascimento e Sheron Menezzes. Como virá a escola? Estrutura: 2,8 mil componentes em 24 alas, 5 carros e 3 tripés. 1º casal: Marlon Lamar e Squel Jorgea. Bateria: Mestre Nilo Sérgio. Qual é o samba? Confira a letra do samba da Portela Compositores: Rafael Gigante, Vinicius Ferreira, Wanderley Monteiro, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Bira, André Do Posto 7 Intérprete: Gilsinho. O samba genuinamente preto Fina flor, jardim do gueto Que exala o nosso afeto Me embala, ô Mãe, no colo da saudade Pra fazer da identidade nosso livro aberto Omoduntê, vim do ventre do amor Omoduntê, pois assim me batizou Alma de Jeje e a justiça de Xangô O teu exemplo me faz vencedor Sagrado feminino, ensinamento Feito águia corta o tempo Te encontro ao ver o mar Inspiração à flor da pele preta Tua voz, tinta e caneta No azul que reina Iemanjá Salve a Lua de Benim Viva o povo de Benguela Essa luz que brilha em mim E habita a Portela Tal a história de Mahin Liberdade se rebela Nasci quilombo e cresci favela Ora yê yê, Oxum, Kalunga É mão que acolhe outra mão, macumba Teu rosto vestindo o adê No meu alguidar tem dendê O sangue que corre na veia é malê Em cada prece, em cada sonho, nega Eu te sinto, nega Seja onde for Em cada canto, em cada sonho, nego Eu te cuido, nego Cá de onde estou Saravá, Kehinde Teu nome vive Teu povo é livre Teu filho venceu, mulher Em cada um de nós Derrame seu axé Vila Isabel Gbalá — viagem ao Templo da Criação Que enredo é esse? Milton Cunha explica o enredo da Vila Isabel A Vila Isabel traz para a Avenida a reedição de “Gbalá! Uma viagem ao Templo da Criação”. Criada em 1993 por Oswaldo Jardim, a obra ganha uma leitura contemporânea assinada por Paulo Barros. “Gbalá!” É uma obra que narra as histórias yorubá desde a criação da Terra. Mais de 30 anos após sua criação, a escola atualiza a mensagem do enredo de 1993, mostrando o mal que o ser humano pode fazer à Terra, até sua salvação através das crianças, que são o símbolo mundial de esperança. A escola quer lembrar da responsabilidade que temos com o nosso planeta e as gerações futuras. Carnavalesco: Paulo Barros. Quem vem? Paula Bergamin, Sabrina Sato (rainha), Gabi Martins, Dandara Oliveira, Natacha Horana e Martinho da Vila. Como virá a escola? Estrutura: 2,7 mil componentes em 28 alas, 6 carros e 2 tripés. 1º casal: Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas. Bateria: Mestre Macaco Branco. Qual é o samba? Confira a letra do samba da Vila Isabel Compositor: Martinho da Vila. Intérprete: Tinga. Meu Deus O grande Criador adoeceu Porque A sua geração já se perdeu Quando acaba a criação, desaparece o Criador Pra salvar a geração, só esperança e muito amor Então Foram abertos os caminhos E a inocência entrou no templo da criação Lá os guias protetores do planeta Colocaram o futuro em suas mãos E através dos orixás se encontraram Com o deus dos deuses, Olorum, e viram Viram como foi criado o mundo Se encantaram com a Mãe Natureza Descobrindo o próprio corpo, compreenderam Que a função do homem é evoluir Conheceram os valores do trabalho e do amor E a importância da justiça Sete águas revelaram em sete cores Que a beleza é a missão de todo artista Gbalá é resgatar, salvar E a criança, esperança de Oxalá Gbalá, resgatar, salvar A criança é esperança de Oxalá, vamos sonhar Mangueira A negra voz do amanhã Que enredo é esse? Milton Cunha explica o enredo da Mangueira Em 2024, a cantora Alcione completa 50 anos de carreira. Na condição de artista e mulher negra, ela enfrentou desafios como o machismo e o racismo. A artista tornou-se um ícone feminino brasileiro e se dedica à defesa da pluralidade religiosa e do respeito. A Mangueira traz as crenças familiares de Alcione, sua ligação com as manifestações culturais do Maranhão e a luta para realizar o sonho de ser cantora no Rio de Janeiro. O enredo destaca o papel da artista na formação de novos talentos. O desfile utiliza canções de Alcione como inspiração e homenageia uma das grandes estrelas da Música Popular Brasileira. E deixa a mensagem: “Aqui o samba não morrerá jamais”. Carnavalescos: Annik Salmon e Guilherme Estevão. Quem vem? Evelyn Bastos (rainha), Juliana Diniz, Thaynara OG, Erica Mantonvani, Ingrid Mantovani e Luciana Faustin. Como virá a escola? Estrutura: 3,5 mil componentes em 26 alas, 5 carros e 2 tripés. 1º casal: Matheus Olivério E Cintya Santos. Bateria: Mestre Taranta Neto e Mestre Rodrigo Explosão. Qual é o samba? Enredo e Samba: Mangueira vai homenagear vida e obra de Alcione Compositores: Lequinho, Junior Fionda, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim. Intérpretes: Marquinhos Art’ Samba e Dowglas Diniz. Xangô chama Iansã Que a voz do amanhã já bradou no Maranhão Tambor de Mina, encantados a girar O Divino no altar, a filha de toda fé Sob as bênçãos de Maria, batizada Nazareth Quis o destino, quando o tempo foi maestro Soprar a vida aos pés do velho cajueiro Guardar no peito a saudade de mainha Do reisado à ladainha, São Luís o seu terreiro Ê, bumba meu boi, ê, boi de tradição Tem que respeitar Maracanã Que faz tremer o chão Toca tambor de crioula, firma no batuquejê Ô pequena feita pra vencer Vem brilhar no Rio Antigo, mostra seu poder de fato Fina flor que não se cheira, não aceita desacato Vai provar que o samba é primo do jazz Falar de amor como ninguém faz Nas horas incertas, curar dissabores Feito uma loba, impor seus valores E seja o pilar da esperança Das rosas que nascem no morro da gente Sambando, tocando e cantando Se encontram passado, futuro e presente Mangueira De Neuma e Zica Dos versos de Hélio que honraram meu nome Levo a arte como dom Um Brasil em tom marrom que herdei de Alcione Ela é Ọ̀dàrà, deusa da canção Negra voz, orgulho da nação Meu palácio tem rainha e não é uma qualquer Arreda, homem, que aí vem mulher Verde e rosa dinastia pra honrar meus ancestrais Aqui o samba não morrerá jamais Tuiuti Glória ao Almirante Negro! Que enredo é esse? Milton Cunha explica o enredo da Tuiuti Esta é a história de João Cândido Felisberto. Para contá-la, vamos para 1910. Seus pais, João Cândido Velho e Inácia Cândido Velho, representam a geração que viveu a escravidão, enquanto João Cândido nasceu sob a “sombra da liberdade”. Tuiuti apresenta João Cândido desde a infância, sua ascensão como marinheiro de primeira classe na Marinha e a traição que sofreu. A insatisfação dos marinheiros com as condições de trabalho, maus-tratos e pagamento vergonhoso — que culminou numa revolta depois da ordem de aplicar chibatadas a um marinheiro acusado de levar cachaça para o navio — será retratada na Avenida. João Cândido lidera a Revolta da Chibata, que alcança sucesso, com o governo cedendo às demandas por melhores condições de tratamento e trabalho, e, claro, o fim da chibata. No entanto, o presidente não cumpre o acordo e responde com prisões e exílios. João Cândido foi considerado louco, julgado e absolvido. Foi desligado da Marinha e terminou seus dias como pescador. A Tuiuti diz que enquanto houver defensores de ditaduras, a “chibata” persistirá em nossa sociedade. Este é um tributo a João Cândido e destaca a luta contra a injustiça. Carnavalesco: Jack Vasconcelos. Quem vem? Mayara Lima (rainha) e Mari Mola. Como virá a escola? Estrutura: 2,4 mil componentes em 29 alas, 5 carros, 2 tripés e 1 elemento cenográfico. 1º casal: Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane. Bateria: Mestre Marcão. Qual é o samba? Confira a letra do samba da Tuiuti Compositores: Valdir W. Correa, Pier Ubertini, Moacyr Luz, Julio Alves, Gustavo Clarão, Alessandro Falcão, Cláudio Russo. Intérprete: Pixulé. Nas águas da Guanabara Ainda o azul de araras Nascia um herói libertador O mar, com as ondas de prata Escondia no escuro a chibata Desde o tempo do cruel contratador Eram navios de guerra, sem paz As costas marcadas por tantas marés O vento soprou à negrura Castigo e tortura no porão e no convés Ô, a casa grande não sustenta temporais Ô, veio dos Pampas pra salvar Minas Gerais Lerê, lerê, mais um preto lutando pelo irmão Lerê, lerê, e dizer: Nunca mais escravidão Meu nego A esquadra foi rendida E toda gente comovida Vem ao porto em saudação Ah, nego A anistia fez o flerte Mas o Palácio do Catete Preferiu a traição O luto dos tumbeiros, a dor de antigas naus Um novo cativeiro, mais uma pá de cal Glória aos humildes pescadores Iemanjá com suas flores E o cais da luta ancestral Salve o Almirante Negro Que faz de um samba-enredo Imortal Liberdade no coração O dragão de João e Aldir A cidade em louvação Desce o Morro do Tuiuti Viradouro Arroboboi, Dangbé! Que enredo é esse? Milton Cunha explica o enredo da Viradouro O enredo da Viradouro se baseia nas crenças voduns dos povos africanos que viviam na Costa da Mina, região onde atualmente está Gana, Togo, Benim e Nigéria. Vodum era o nome usado para representar as divindades ou forças invisíveis do mundo espiritual. Na tradição original, as mulheres são escolhidas e iniciadas em ritos de louvor à serpente sagrada conhecida como Dangbé — a cobra que engole a própria cauda para dar equilíbrio. Segundo estes orixás, nada começa nem termina, tudo avança, tudo retorna. Estas mulheres formavam uma poderosa irmandade de guerreiras voduns, com inteligência, fé, armas implacáveis e espiritualmente invencíveis. Ludovina Pessoa era uma das guerreiras. Ela atravessou o oceano com o baú de memórias e chegou ao Brasil trazendo a formação do candomblé na Bahia, mais precisamente no Terreiro Hundé, no Recôncavo Baiano. No coração de Salvador, ela ergueu o Terreiro de Bogum. Esta palavra também era usada para falar do baú onde se guardavam as doações para financiar o povo negro contra a escravidão e em busca de liberdade. Carnavalesco: Tarcísio Zanon. Quem vem? Luana Bandeira, Egili Oliveira, Erika Januza (rainha), Lore Improta e Thays Busson. Como virá a escola? Estrutura: 3 mil componentes em 23 alas, 6 carros e 2 tripés. 1º casal: Julinho Nascimento e Rute Alves. Bateria: Mestre Ciça. Qual é o samba? Viradouro vai mostrar a força da mulher negra na Sapucaí Compositores: Claudio Mattos, Cláudio Russo, Julio Alves, Thiago Meiners, Manolo, Anderson Lemos, Vinicius Xavier, Celino Dias, Bertolo e Marco Moreno. Intérprete: Wander Pires. Eis o poder que rasteja na Terra Luz pra vencer essa guerra A força do Vodum Rastro que abençoa, agoyê Reza pra renascer Toque de adahum Lealdade em brasa rubra Fogo em forma de mulher Um levante à liberdade, divindade em Daomé Já sangrou um oceano Pro seu rito incorporar Num Brasil mais africano, outra areia, mesmo mar Ergue a casa de Bogum, atabaque na Bahia Ya é Gu Rainha, herdeira do candomblé Centenário fundamento da Costa da Mina Semente de uma legião de fé Vive em mim A irmandade que venceu a dor A força herdei de Hundé e, da luta, Mino Vai serpenteando feito rio ao mar Arco-íris que no céu vai clarear Ayî Que seu veneno seja meu poder Bessen que corta o amanhecer Sagrado Gumê-Kujô Vodunsis o respeitam Clamam: Kolofé E os tambores revelam seu afé Ê, alafiou, ê alafiá É o ninho da serpente, jamais tente afrontar Ê, alafiou, ê alafiá É o ninho da serpente preparado pra lutar Arroboboi, meu pai Arroboboi, Dangbé Destila seu axé na alma e no couro Derrama nesse chão a sua proteção Pra vitória da Viradouro Como se calcula a data do carnaval?

source https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/carnaval/2024/noticia/2024/02/12/seis-escolas-fecham-nesta-segunda-feira-o-grupo-especial.ghtml
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