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'Podemos aprender com a experiência dos EUA', diz pesquisador sobre uso recreativo de opioides no Brasil

Pesquisador da Fiocruz, Francisco Inácio Bastos é um dos autores do artigo “Mudança no uso hospitalar de opioides durante a pandemia de Covid-19 no Brasil” publicado neste mês na revista científica Nature. 'Podemos aprender com a experiência dos EUA', diz pesquisador sobre uso recreativo de opioides no Brasil Durante a pandemia de Covid-19 no Brasil, hospitais e unidades de saúde solicitaram à Agência Nacional de Vigilância Sanitária o aumento na importação e aquisição do fentanil. O opioide é, segundo o pesquisador da Fiocruz, Francisco Inácio Bastos, uma das melhores substâncias para anestesiar pacientes durante o procedimento de intubação. Muito mais potente do que outros analgésicos, ele inibe rapidamente os movimentos involuntários da respiração ao mesmo tempo que anestesia a dor. Bastos é um dos autores do artigo “Mudança no uso hospitalar de opioides durante a pandemia de Covid-19 no Brasil” publicado neste mês na revista científica Nature. A pesquisa foi realizada em 24 hospitais brasileiros diferentes e analisou quase 1 milhão de prescrições médicas. O pesquisador diz que o aumento no uso de fentanil foi significativo e traz uma preocupação: após a alta hospitalar muitos destes pacientes não são acompanhados. “Em casos de uso prolongado da substância, é possível desenvolver uma dependência”, diz Bastos. “Quando olhamos no retrovisor, podemos aprender com a experiência dos Estados Unidos, em que muitos pacientes após prolongados períodos de tratamento passaram a fazer uso de opioides fora do ambiente hospitalar”, acrescenta. LEIA TAMBÉM: Entenda o que são as drogas K e por que não podem ser chamadas de maconha sintética Como epidemia de opioides deu novo fôlego à 'guerra às drogas' nos EUA Crise de opioides: as 'máquinas de refrigerante' que dão antídoto de overdose em ruas dos EUA O pesquisador também colaborou com um comentário na revista científica The Lancet publicado em maio deste ano. Intitulado “Relatos sobre o uso crescente de fentanil no Brasil contemporâneo são preocupantes, mas uma crise semelhante à dos EUA ainda pode ser evitada”, o artigo ressalta que os mercados ilícitos de opioides no Brasil pareciam ausentes até que uma apreensão de fentanil foi relatada em no estado do Espírito Santo em fevereiro deste ano. No começo deste mês, uma embalagem que supostamente seria de fentanil também foi apreendida em uma operação policial no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Por ser um opioide sintético, o fentanil pode ser sintetizado de forma ilegal e misturado em outras drogas para potencializar seus efeitos. “Há muitos relatos de fentanil sendo misturado nas drogas K”, diz Bastos. “Essas drogas foram batizadas assim porque os cães policiais (conhecidos como K-9) não conseguem farejá-las”, completa. Para evitar uma crise no Brasil, Bastos diz que é necessário treinar profissionais da saúde para que eles saibam como administrar corretamente a substância em hospitais e acompanhar pacientes após longos períodos de exposição à substância. Ele diz também ser preciso fiscalizar cargas hospitalares para não serem desviadas (principalmente em unidades de saúde menores), e aumentar o investimento em exames toxicológicos em casos de morte por overdose. “Nós não sabemos o tamanho do problema”, diz Bastos, “quando uma pessoa morre por overdose no Brasil, nós não sabemos dizer se ela também tinha opioides no seu organismo, é difícil combater um problema que nós não conhecemos direito”, avalia.

source https://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2023/10/24/podemos-aprender-com-a-experiencia-dos-eua-diz-pesquisador-sobre-uso-recreativo-de-opioides-no-brasil.ghtml
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