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Melhorias habitacionais elevam percepção de autoestima e qualidade de vida de pessoas de baixa renda, aponta relatório


Beneficiários de programa da organização Habitat Para a Humanidade também relataram melhora em aspectos como segurança, privacidade e conforto. Especialista explica relação entre ações realizadas e maior sensação de bem-estar. Mãe e filha após entrega de melhorias habitacionais em sua casa, na Favela dos Sonhos, em Ferraz de Vasconcelos (SP) Habitat Brasil/Divulgação Instalação de vaso sanitário, troca de pia, impermeabilização das paredes — intervenções simples relacionadas a saneamento básico e higiene são capazes de aumentar o bem-estar e a qualidade de vida de famílias de baixa renda, aponta um relatório da organização Habitat Para a Humanidade. O estudo foi feito com base na percepção dos beneficiários de seu programa de melhorias habitacionais. Em 2022, o projeto atendeu 243 famílias nas regiões Sul e Sudeste do país, majoritariamente no estado de São Paulo. Trocaram portas, abriram janelas, fizeram reparos em fiações elétricas e sistemas hidráulicos, aplicaram revestimento em pisos e paredes, dentre outras intervenções — algumas delas, explica a organização, para dar às casas mais cara de "lar". Moradia com a fachada reformada na Favela dos Sonhos, em Ferraz de Vasconcelos (SP) Habitat Brasil/Divulgação Segundo os moradores, as mudanças causaram os seguintes impactos em suas vidas: 98% declararam que houve melhora na autoestima; 96% notaram um aumento de privacidade; 97% sentiram que o conforto de suas casas aumentou; 89% disseram que seus lares ficaram mais seguros; 81% afirmaram que houve melhoria no bem-estar de suas famílias. Das 170 famílias que possuem um ou mais membros com doenças respiratórias, a grande maioria percebeu diminuição na frequência e na intensidade dos sintomas após os reparos realizados. Moradora da Favela dos Sonhos, em Ferraz de Vasconcelos (SP), na conclusão do projeto de melhorias habitacionais Habitat Brasil/Divulgação De acordo com a Habitat Brasil, o impacto das melhorias vai além, proporcionando mais oportunidades aos beneficiários, uma vez que elas garantem condições básicas para que essas pessoas possam estudar, trabalhar e socializar. Vila Reencontro: após 5 meses, famílias elogiam privacidade nas casas, mas se preocupam com prazo para deixar projeto "Esses dados do relatório mostram o quanto uma moradia adequada impacta na saúde física, emocional e psicológica das pessoas. Um teto, apenas, não é o suficiente. Para que as pessoas tenham uma vida digna, é necessário termos moradias que ofereçam saneamento, privacidade, segurança, espaço, conforto e condições mínimas para viver e morar", diz Socorro Leite, diretora executiva da organização. Entrega de melhorias habitacionais na Favela dos Sonhos, em Ferraz de Vasconcelos (SP) Habitat Brasil/Divulgação Para o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, especialista em questões habitacionais, os resultados apresentados pelo relatório também aparecem em pesquisas similares sobre o tema. "Nós, seres humanos, somos seres territoriais. A gente depende muito das condições do nosso território. A moradia é o lugar a partir do qual a gente se relaciona com outras pessoas e com o mundo. Se você tem esses aspectos que te permitem a adoção de hábitos de higiene e de limpeza cotidianos, isso vai, certamente, ter um efeito positivo na saúde fisiológica das pessoas, mas também na saúde mental porque você vai estar organizando o seu território existencial", explica. Segundo o especialista, tais conclusões têm guiado políticas públicas voltadas para pessoas em situação de rua, uma vez que a garantia de boas condições de moradia tornam mais eficazes ações complementares que visem melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, como a promoção de cuidados com a saúde e a inserção no mercado de trabalho.

source https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2023/10/16/melhorias-habitacionais-elevam-percepcao-de-autoestima-e-qualidade-de-vida-de-pessoas-de-baixa-renda-aponta-relatorio.ghtml
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