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Aprovação social, autoaceitação e vaidade: quais os riscos para quem faz de tudo por uma imagem perfeita?


No Globo Repórter desta sexta-feira (20), os dois lados da vaidade: desde o mercado de beleza, que movimenta bilhões, até serviços de saúde, que recebem pessoas em conflito com a própria imagem. Assista à íntegra do programa. Veja o que é destaque no Globo Repórter desta sexta-feira (20) O que você vê quando se olha no espelho? Em alguns momentos, é difícil este encontro com consigo. Aprovação social e autoaceitação têm, definitivamente, uma relação delicada. O Globo Repórter desta sexta-feira (20) mergulhou nesse universo e conversou com personagens para entender os dois lados da vaidade. Quem vê Walace Costa trabalhando com tanta confiança, nem nota suas fragilidades. Apesar de ser um "nail artist", ou um artista das unhas, de sucesso, o excesso de autoestima do carioca começou a doer no bolso. Walace Costa, trabalha como 'nail artist', no Rio de Janeiro. Reprodução/Globo Repórter “Eu gosto muito quando estou com a minha autoestima elevada. Chega a ser chato, porque o meu ego vai lá em cima. Acordo, olho no espelho, nossa como eu sou lindo”, brincou. Vaidoso declarado, ele gastava tudo o que ganhava em roupas caras, e não sobrava nada. Foi a esposa, Dalila Rubim, que conseguiu ajudar o marido a controlar a situação. “Eu fui botando na cabeça dele que a gente não precisa ter assim, o nosso conforto dentro de casa, mas não precisa ter um luxo assim, não precisa viver com roupas de marca, com coisas muito caras, para a gente ser feliz”, contou Dalila. Dalila e Walace falam sobre o alto custo da vaidade sem limites “Nós somos seres insaciáveis. É do ser humano mesmo. Então, a gente tem que fazer os combinados internos, o que funciona, até onde eu posso ir. Para deixar uma parte, saber conviver com este vazio, e dialogar com ele”, afirmou Teresa Lustosa, especialista em planejamento financeiro. Jornada pela autoaceitação Em um curso de cabeleireiro em Paraisópolis, São Paulo, as mulheres buscam qualificação e aprendem sobre o poder da própria imagem. Entre as alunas, são muitas histórias sobre a luta pela aceitação da própria imagem. "Não é simples para a gente, não é simples como é para uma mulher branca. É uma luta política. Para ter esse cabelo hoje, eu tive por causa da minha filha que falava que o cacho era feio porque eu tinha o cabelo alisado", disse a professora Letícia Chaves. Curso de cabeleireiro em Paraisópolis, São Paulo. Reprodução/Globo Repórter O mercado da beleza movimenta cerca de R$ 130 bilhões por ano no Brasil e, em comunidades, tem se mostrado mais do que uma fonte de renda. De acordo com uma pesquisa feita neste ano nas maiores favelas do país, 98% dos moradores têm algum ritual de beleza. “Eu já fui dispensada uma vez. Fui numa entrevista em uma clínica de estética, que tinha área de cabeleireiro, e eu não pude entrar porque eu estava um pouquinho gordinha. (...) Aquilo mexeu muito comigo”, contou Cristiane Dias, cabeleireira. Pressão social Se antes a briga era só com o espelho, atualmente a coisa se complicou. Uma foto postada na rede social, por exemplo, é alvo de reprovação ou aprovação imediata. Uma relação com a própria autoestima, que mexe com a vaidade, e causar frustração, principalmente nos mais jovens. Enquanto a pessoa é mais jovem, é normal simplesmente responder ao modelo. Ou seja, fica mais difícil ter o chamado “manejo das emoções”, o que pode causar inveja e a busca por um estilo de vida que só existe na internet. Psicólogo Cristiano Nabuco fala sobre a pressão social entre os jovens “É ansiedade sobre insatisfação, sobre o sentimento de não-pertencimento, sobre a visão de que talvez eu não seja bom o bastante”, explicou o psicólogo Cristiano Nabuco, fundador do grupo de Dependências Tecnológicas da Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP. Beleza ressignificada Especialista em registrar famosos em peças publicitárias por décadas, o fotógrafo Jairo Goldflus disse que vem se sentindo incomodado nos últimos anos com um mundo onde a estética é ditada por algoritmos e as pessoas querem ser cada vez mais parecidas. Por conta dessa inconformidade, ele criou o projeto "Singular", que virou um livro que reúne 130 mulheres sem maquiagem. A modelo Giulia Dias é uma dessas mulheres, que conta a história dela a partir da própria imagem e também com palavras. Giulia Dias, modelo. Reprodução/Globo Repórter Aos 9 anos, ela sofreu um acidente de carro quando passeava com a avó e desde então leva na face uma cicatriz que representa aquele dia. “Eu me vejo uma pessoa muito determinada, resiliente, amorosa, bonita e simpática. (...) se você não se amar, ninguém vai fazer isso por você”, contou. A apresentadora Rafa Brites também foi atrás da beleza original do seu corpo. Aos 37 anos, ela decidiu fazer um procedimento conhecido como "explante" e tirou os implantes de silicone que colocou aos 20 anos. Rafa Brites explica por que decidiu tirar prótese de silicone "O meu corpo não precisa estar a serviço da sociedade. Precisa estar a serviço do meu bem-estar. O que faz uma pessoa cortar o corpo e colocar um plástico por conta de uma forma? E tudo bem se você quiser, mas por que você está fazendo isso? Hoje em dia, o meu motivo no passado não faz o menor sentido", conta. Veja a íntegra do programa abaixo: Edição de 20/10/2023 Confira as últimas reportagens do Globo Repórter: A

source https://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2023/10/21/aprovacao-social-autoaceitacao-e-vaidade-quais-os-riscos-para-quem-faz-de-tudo-por-uma-imagem-perfeita.ghtml
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