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Meninos de 7 a 14 anos, dentro de casa e lesões na cabeça: pesquisa traça perfil das crianças vítimas de acidentes com cães


Estudo foi realizado por pediatra do Hospital das Clínicas da Unicamp e contabilizou mais de 1 mil ocorrências de 2010 a 2019. Ao g1, pediatra deu dicas de como proteger os pequenos e o que fazer em caso de ataques. Criança recebe atendimento no Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas HC Unicamp/Arquivo Um levantamento realizado com dados da Unidade de Emergência Referenciada Infantil do Hospital das Clínicas da Unicamp traçou o perfil das crianças vítimas de acidentes com cães. 🐶 A pesquisa, uma das únicas com esse tipo de avaliação no país, foi comandada pela médica pediatra Michelle Marchi de Medeiros. Foram analisados todos os atendimentos de 2010 a 2019. 📲 Receba no WhatsApp notícias da região de Campinas “Verificamos que as crianças mais novas sofrem mais lesões localizadas na cabeça e pescoço, provocadas em acidentes que ocorrem com cães de contato habitual, dentro da própria casa, por causa provocada, dependente da interação da criança com o animal”, explica a médica. “À medida que a idade aumenta cresce o número de lesões localizadas em membros superiores e inferiores, como braços e pernas, em ataques de causa acidental, em ambientes externos”, completa. 👩‍⚕️ O g1 também conversou com a pediatra que orientou a pesquisa. Ela deu detalhes de como proteger os pequenos e o que fazer em caso de ataque. Confira detalhes sobre o perfil das vítimas, dos cachorros e os tipos de lesões 📄 A pesquisa: o estudo identificou 1.012 atendimentos envolvendo pacientes de Campinas (SP) e região. As informações foram coletadas das fichas do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), responsável pela aplicação dos imunobiológicos antirrábicos nas vítimas. 👦 Perfil das vítimas: crianças do sexo masculino foram as mais acometidas (65,2%). As lesões ocorreram, principalmente, na faixa dos 7 a 14 anos, com 498 pacientes (49,2%), seguida pelos grupos de 4 a 6 anos, com 268 (26,5%), e crianças de 0 a 3, com 246 (24,3%). 🤕 Local da lesão: os ferimentos localizados na região da cabeça e pescoço foram os mais prevalentes (37,4%), seguidos por lesões em membros superiores (34%), inferiores (27,9%), tronco (9,4%) e mucosas (1,4%). 😫 Lesão x Idade: As lesões em cabeça e pescoço ocorreram mais frequentemente em crianças mais jovens (61,4%). As lesões em membros superiores e inferiores foram mais descritas na faixa dos 7 a 14 anos (36,5% e 42,6%, respectivamente). No grupo de 4 a 6, os ferimentos na cabeça e pescoço foram descritos em 47,4% casos e, na faixa de 7 a 14 anos, em 20,1% casos. O estudo ainda mostra que os machucados em membros superiores estavam presentes em 30,9% das crianças de 0 a 3 anos e em 32,1% com idade de 4 a 6. Os ferimentos em membros inferiores foram relatados em 8,5% das crianças com idade de 0 a 3 anos e em 18,3% dos pacientes com idade de 4 a 6. 🩹 Tipo de lesão: as mordeduras foram as mais frequentes, sendo relatadas em mais de 78% dos casos em todas as áreas do corpo, seguidas das arranhaduras e lambeduras. Em mais de 84% dos acidentes, foram descritas como profundas. Lesões dilacerantes foram relatadas com mais frequência na cabeça e pescoço, sendo 7,7%, seguidas por 5% em membros inferiores e 2% em superiores. 🐕 Perfil dos cachorros: a maior parte dos ataques dos cães foi acidental (64,9%) em todas as faixas etárias. As ocorrências envolviam 26 raças diferentes, sendo que os animais sem raça-definida eram os mais comuns (36,2%). Na sequência estão o Pit Bull (3,6%), Pastor Alemão (1,4%) e Poodle (1,3%). 📍 Local das ocorrências: a maioria dos acidentes ocorreu em ambiente externo (68,2%). Em 31,5% casos, os ataques se deram na própria casa da criança e em cinco 0,5% dos atendimentos o local do acidente não foi descrito. Artigo publicado Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp Reprodução/EPTV De acordo com o HC da Unicamp, esta é uma das únicas pesquisas que avalia as diferenças entre os acidentes com cães em diversas faixas etárias em pediatria no Brasil. O artigo foi publicado na revista Frontiers in Pediatrics e, de acordo com a orientadora Andrea Fraga, os acidentes com cães representam um grande problema de saúde pública nos países em desenvolvimento. “Esses dados são úteis para o desenvolvimento de medidas preventivas direcionadas a cada faixa etária da pediatria, incluindo orientação dos pais, tutores de cães, crianças maiores e desenvolvimento de políticas públicas buscando o controle da população animal abandonada nas ruas e incentivo à posse consciente de animais domésticos”. Como proteger os pequenos Pessoa segura filhote de cachorro no colo Igor Andrade Cotrim/PMD A pediatra Andrea Fraga lembra que o contato com os animais beneficia os humanos de várias maneiras, pois reduz a solidão, melhora a autoestima e gera bem-estar. No entanto, existem duas premissas básicas nessa relação: todo e qualquer cão pode morder, independente de tamanho, raça ou condições de saúde, e toda criança deve ser vigiada. 🦴 Pensando nisso, ela detalhou alguns cuidados que podem ser ajudar na prevenção dessas ocorrências: Crianças pequenas não devem alimentar, abraçar, beijar, colocar o rosto perto, dar petiscos e, em hipótese nenhuma, ficar sozinhas com os cães; Não deixar bebês engatinharem ou ficar no chão, no mesmo ambiente que os animais; Não acordar o cão quando ele estiver dormindo e nunca tentar interagir quando ele estiver se alimentando. “Animais domésticos não são cuidadores de crianças. A sensação de familiaridade traz uma falsa segurança e pode ocorrer maior tempo de interação não supervisionada da criança com o cão e os acidentes ocorrem nesse momento”, complementa. Na presença de um cão desconhecido, evite sair correndo ou fazer movimentos agressivos, fique parado e deixe que ele cheire e depois saia normalmente; Ensine as crianças a reconhecerem sinais que podem significar maior chance de ataque: quando os cães ficam com o corpo rígido, com a cauda retificada, olhando fixamente ou na posição agachados; Para os tutores dos animais, a orientação é de sempre mantê-los em guias quando em ambientes públicos, desencorajar as crianças de tentar pegar no colo, abraçar ou mesmo alimentar os animais. O que fazer em caso de acidentes No caso de acidente com animais, é importante observar o comportamento do cão por 10 dias e caso apresente alguma alteração, entrar em contato com o serviço de zoonoses. Caso o cão não seja observável ou morra durante a observação, procurar uma unidade de saúde. "Os cuidados locais após a mordida dependem do tamanho e do tipo de lesão, porém sempre deve-se lavar o ferimento em água corrente. Lesões maiores que necessitem de sutura ou lesões múltiplas, devem ser avaliadas em uma unidade de saúde", detalha a especialista. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre Campinas e região.

source https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2023/09/24/meninos-de-7-a-14-anos-dentro-de-casa-e-lesoes-na-cabeca-pesquisa-traca-perfil-das-criancas-vitimas-de-acidentes-com-caes.ghtml
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