Como ex-ministro de FHC deixou vida política para produzir um dos melhores azeites do mundo


Bob Costa e a esposa Bia Pereira têm pomares de oliveiras em Santo Antônio do Pinhal (SP) e Encruzilhada do Sul (RS). Negócio começou em 2014 e, em menos de 10 anos, soma quase 90 premiações no ramo. Bob Costa, produtor de azeite em Santo Antônio do Pinhal (SP) Divulgação/Azeite Sabiá Com mais de 90% da produção concentrada nos países mediterrâneos, o azeite sempre foi um produto que o Brasil precisou importar - de acordo com o Conselho Oleícola Internacional (COI), o país é o segundo maior importador do óleo no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Desde 2008, no entanto, quando aconteceu a primeira extração de um azeite no Brasil, em Maria da Fé (MG), os produtos brasileiros tem despontado e hoje chamam atenção até em prêmios internacionais. No último domingo (10), uma produtora chamada ‘Sabiá’, sediada em Santo Antônio do Pinhal (SP), venceu o prêmio ‘Lodo’, concurso mais antigo do mundo dedicado ao azeite. Fundada em 2014, a empresa é comandada pelo casal Bob Costa e Bia Pereira e soma, desde então, 89 premiações no meio. A produtora de azeite Sabiá, de Santo Antônio do Pinhal, tem quase 90 premiações no meio Divulgação/Azeite Sabiá Natural de Alfenas (MG), Bob Costa é formado em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), de São Paulo. Ele se formou em 1984 e, apesar de hoje estar no ramo agrícola da olivicultura, tem uma longa trajetória no setor público e até na política. Leia mais notícias do Vale do Paraíba e região A carreira política de Bob Costa começou com 21 anos. Ele passou a coordenar um projeto na Secretaria do Interior do Estado de São Paulo e, até 2003, teve uma longa trajetória no setor. “Não era funcionário público, mas passei por diversos órgãos públicos”, explica Bob, que trabalhou também na Secretaria de Educação do Estado de SP com gestão do Fernando Morais, quando a TV Escola foi implantada, na chefia da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Saúde na gestão de José Serra, quando foi responsável por diversas campanhas de conscientização, e como secretário-adjunto de Cultura do Governo do Estado de São Paulo na gestão de Ricardo Ohtake. Bob Costa e Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil Divulgação/Azeite Sabiá O último cargo foi o mais marcante. Bob foi convidado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para trabalhar como ministro-chefe da Secretaria de Estado de Comunicação do mandato, que iniciou em 1995 e se encerrou em 2003. “Mantenho contato com ele. É uma pessoa excepcional, que fez um ótimo governo. Muito firme no ponto de vista do trabalho. Foi uma época difícil demais, com inflação, crise de energia. Mas ele é um líder que consegue fazer os problemas não crescerem. Mantemos contato até hoje e, inclusive, já o presenteei com garrafas de azeite”, conta. Com o término do mandato de FHC, Bob Costa abriu uma agência para atuar no terceiro setor (iniciativa privada, mas de utilidade pública). A empresa funciona até hoje, mas há cerca de anos um sonho mudou o centro das atenções de Bob. Bob Costa e Bia Pereira, produtores de azeite em Santo Antônio do Pinhal Divulgação/Azeite Sabiá Mudança de ramo Em 2014, Bob e Bia trocaram uma casa de campo no interior do Rio de Janeiro por uma fazenda em Santo Antônio do Pinhal para morar mais perto de São Paulo - a cidade da Serra da Mantiqueira fica a cerca de duas horas da capital. O imóvel criava bezerros, algo que não agradava o casal, que decidiu deixar o negócio de lado e pensar em alguma outra produção. “Sempre tive uma relação muito forte com o campo e com a agricultura. Eu e minha esposa conseguimos adquirir essa fazenda de bezerros, mas não gostávamos disso e não dava mais para continuar. Então pensamos em outros negócios, até vinho, mas chegamos à olivicultura e demos início ao pomar”, lembra o empreendedor. Com a certeza da entrada no negócio, Bob e Bia fizeram cursos e estudaram a olivicultura, com viagens a diversos países onde a produção de azeite é tradicional, como Espanha, Chile e Itália. O período contou ainda com uma visita ao campo experimental de Maria da Fé (MG) onde o casal processou azeitonas e teve os primeiros contatos diretos com a produção. Ainda em 2014, as primeiras mudas de azeite foram compradas para a fazenda de Santo Antônio do Pinhal. A produtora de azeite Sabiá, de Santo Antônio do Pinhal, tem quase 90 premiações no meio Divulgação/Azeite Sabiá Produção de azeite Apesar das primeiras mudas terem sido adquiridas há quase uma década, o processo é bastante demorado e demanda muita paciência. “É bem rigoroso. Tem que ter paciência. As oliveiras atingem maioridade só depois de 10 anos. No caso do pomar de Santo Antônio do Pinhal, em 2018 e 2019 foram as primeiras produções, mas bem pouco. A primeira safra comercial foi em 2020, ou seja, entre seis e sete anos depois.” Antes disso, em 2017, a empresa já havia dado um outro passo: a abertura de um novo pomar em Encruzilhada do Sul, no Rio Grande do Sul. O espaço é três vezes maior que a fazenda de Santo Antônio do Pinhal e, no futuro, será responsável pela maior parte da produção. Depois de Santo Antônio do Pinhal, a produtora de azeite 'Sabiá' construiu um novo pomar, no Rio Grande do Sul Divulgação/Azeite Sabiá A produção tem aumentado a cada ano e, conforme as oliveiras vão ficando mais velhas, a tendência é que cada vez mais azeitonas sejam produzidas. Produção desde 2020, ano da primeira safra comercial: 2020: 1 mil litros 2021: 3 mil litros 2022: 10 mil litros 2023: 20 mil litros A produtora de azeite Sabiá, de Santo Antônio do Pinhal, tem quase 90 premiações no meio Divulgação/Azeite Sabiá Apesar de sonhar desde pequeno em estar no setor da agricultura, Bob Costa conta que nunca imaginou trabalhar com azeite. “Nunca nem havia passado pela minha cabeça. Eu perdi meus pais muito cedo. Meu pai com sete anos, em um acidente de carro, e minha mãe doente, quando tinha 12. Então sempre tive que lutar muito e, a partir dessa luta, a vida foi me guiando. Tudo foi acontecendo. Sempre fui muito correto, fiz tudo da melhor maneira, e isso te leva para os melhores caminhos.” A produtora de azeite Sabiá, de Santo Antônio do Pinhal, tem quase 90 premiações no meio Divulgação/Azeite Sabiá Premiações De acordo com a empresa, são 89 premiações pela qualidade do azeite. Participar das competições não era um objetivo no início do negócio, mas, segundo Bob, o casal passou a inscrever a produtora nos concursos para que ela fosse mais conhecida no próprio país. “Isso começou porque eu e a Bia nos questionamos sobre como fazer os brasileiros comprarem o nosso azeite, sendo que o consumo no país é muito mais de produtos importados. Ainda mais o nosso azeite sendo mais caro que os conhecidos (varia de R$ 90 a R$ 280). Então decidimos começar a inscrever nossa produção em concursos e no primeiro ganhamos. Foi surpreendente, impressionante”, se recorda. Bob Costa e Bia Pereira, produtores de azeite em Santo Antônio do Pinhal Divulgação/Azeite Sabiá Desde então, não pararam mais e, hoje, estão nos principais da categoria. Principal exportadora do mundo, a Espanha tem também o concurso mais importante no meio: o ‘Evooluem’, que elege todos os anos os 100 melhores azeites do mundo. “Nos inscrevemos pela primeira vez em 2022 e o objetivo foi ficar entre os 100 melhores. Ficamos entre os 10. Foi surpreendente. Foi a primeira vez que um país fora do mediterrâneo alcançou o top-10.” “Neste ano nos inscrevemos de novo e ficamos novamente entre os 10 melhores. Foi a primeira que que o mesmo azeite ficou entre os 10 melhores eleitos”, completa. Depois de Santo Antônio do Pinhal, a produtora de azeite 'Sabiá' construiu um novo pomar, no Rio Grande do Sul Divulgação/Azeite Sabiá De acordo com o empresário, o principal segredo para o sucesso tem sido o trabalho duro colocado desde o início do projeto e o carinho nas produções. “Muito trabalho e estudo. Foi um investimento certeiro porque estudamos muito. E é algo feito com muito carinho por mim e pela minha esposa, que nos empolgamos e nos apaixonamos de verdade por isso”, comemora. A produtora de azeite Sabiá, de Santo Antônio do Pinhal, tem quase 90 premiações no meio Divulgação/Azeite Sabiá Planos Com a consolidação da venda dos azeites, a meta agora é avançar para o setor de cosméticos. “Queremos entrar no ramo dos cosméticos. O azeite nasceu como um produto, não como um alimento. Era usado para limpeza de pele, principalmente. Passou a ser muito mais alimento, mas ainda é uma matéria-prima ótima para a área cosmética. Estamos estudando isso”, diz Bob. Depois de Santo Antônio do Pinhal, a produtora de azeite 'Sabiá' construiu um novo pomar, no Rio Grande do Sul Divulgação/Azeite Sabiá Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

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