Ex-assessor confirma ter feito pagamento de boleto para família Bolsonaro

Sargento Luís Marcos dos Reis prestou depoimento à CPI dos Atos Golpistas. Coaf apontou movimentações atípicas na conta do militar. Ex-assessor confirma ter feito pagamento de boleto para família Bolsonaro A CPI dos Atos Golpistas convocou um novo depoimento do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira (24), os deputados ouviram outro ex-assessor de Bolsonaro. O segundo sargento da reserva Luís Marcos dos Reis foi ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro por três anos e meio. O sargento está preso desde maio por suspeita de participar da fraude de cartões de vacinação contra a Covid - incluindo o cartão de Bolsonaro. A CPI dos Altos Golpistas convocou o sargento depois que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf, apontou que ele movimentou mais de R$ 3 milhões de janeiro de 2022 a maio de 2023, valor incompatível com sua renda. Dos Reis negou envolvimento com qualquer irregularidade. “Jamais tomei parte em suposto esquema de falsificação de cartão de vacinação envolvendo o ex-presidente ou membros de sua família. Não sou responsável pelo ocorrido no dia 8 de janeiro e as movimentações na minha conta são absolutamente legais”, afirmou Luís Marcos dos Reis. Segundo o Coaf, no mesmo período, a soma das transações bancárias de seis assessores de Jair Bolsonaro, incluindo o sargento, chegou a quase R$ 12 milhões. Luís Marcos dos Reis disse que a movimentação financeira dele se deve à participação em um consórcio com colegas militares em que cada um dava uma cota em dinheiro e, uma vez por mês, um deles ficava com o valor total; a empréstimos pedidos a familiares e amigos; e à venda de um carro. Segundo o sargento, o carro pertencia ao chefe dele, o tenente-coronel Mauro Cid, outro ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Cid também está preso por suspeita de fraudar cartões de vacinação. “Falei: ‘Coronel, eu vendi o carro’. Ele: ‘Quanto que sobrou?’. R$ 72.830. Ele falou assim: ‘Passa R$ 70 mil e fica para você o restante, é para o seu trabalho’. Eu: ‘Sim, senhor’”, disse Luís Marcos dos Reis. O sargento Luís Marcos dos Reis foi muito questionado sobre a participação dele nos atos golpistas. O sargento divulgou mensagens e até uma foto na rampa do Congresso em redes sociais no dia 8 de janeiro. Dos Reis disse à relatora da CPI, Eliziane Gama, do PSD, que se deixou levar por um impulso. Segundo ele, foi um momento impensado. Nesta quinta-feira (24), o sargento foi questionado na CPI se fez pagamentos de despesas pessoais da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ou de Jair Bolsonaro. Ele, incialmente, negou qualquer pagamento. Confrontado pelo deputado Rubens Pereira Júnior, do PT, admitiu que pagou um boleto do colégio da filha do então presidente. Depois, usou o direito de ficar calado. Luís Marcos dos Reis: “Eu fiz um pagamento de boleto da filha do presidente, do colégio que ela estudava no...” Rubens Pereira Júnior: “O senhor, quando fazia pagamento, naturalmente não era da sua conta, era com dinheiro em espécie?” Luís Marcos dos Reis: “Aí volto... Eu vou permanecer em silêncio, porque essa parte de dinheiro em espécie...” Rubens Pereira Júnior: “Tudo bem. Eu já entendi. Toda vez que fala em dinheiro..." Luís Marcos dos Reis: “Não”. Rubens Pereira Júnior: “O senhor vai dizer que vai ficar calado e não vai responder”. Luís Marcos dos Reis: “Mas já foi prestada a conta”. Durante a sessão, os parlamentares aprovaram as quebras de sigilo telefônico e telemático do ex-assessor de Bolsonaro, Tércio Arnaud Tomaz, da deputada Carla Zambelli, do PL, e do hacker Walter Delgatti Neto. Zambelli foi apontada pelo hacker, em depoimento à comissão, como quem o contratou para fazer uma invasão nos sistemas do Judiciário. A comissão aprovou, ainda, reconvocação de Mauro Cid. Enquanto o sargento depunha, o tenente coronel Cid estava na CPI da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Cid fez um pronunciamento em que disse que apenas cumpria ordens como ajudante de Bolsonaro. Na semana passada, o advogado de Mauro Cid afirmou que o tenente-coronel vendeu um relógio Rolex cravejado de diamantes a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro e que o dinheiro foi entregue à família Bolsonaro. A joia foi recebida pelo então presidente em uma viagem oficial à Arábia Saudita. Por um acórdão do Tribunal de Contas da União, não poderia ter sido vendida. Nesta quinta-feira (24), Mauro Cid se recusou a detalhar as negociações. O Jornal Nacional entrou em contato com a defesa de Jair Bolsonaro sobre a declaração do sargento Luís Marcos dos Reis de que pagou conta da família do ex-presidente, mas não teve resposta. Jair Bolsonaro já negou ter recebido dinheiro da venda do relógio Rolex e também já declarou que o tenente-coronel Mauro Cid tinha autonomia e que não mandou Cid vender nada. LEIA TAMBÉM Ex-assessor de Bolsonaro nega a CPI envolvimento em falsificação de cartões de vacina e atos golpistas; veja destaques CPI dos Atos Golpistas aprova quebra de sigilos de Zambelli e Delgatti e reconvocação de Mauro Cid CPI dos Atos Golpistas tem bate-boca entre deputados Laura Carneiro e Marco Feliciano

source https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2023/08/24/ex-assessor-confirma-ter-feito-pagamento-de-boleto-para-familia-bolsonaro.ghtml
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