Entenda como as eleições deste domingo determinam a escolha do próximo presidente da Argentina


As prévias são a primeira votação das eleições presidenciais, e os principais nomes da política argentina (Cristina Kirchner e Mauricio Macri) estão de fora --portanto pode haver uma renovação. Patricia Bullrich, Horacio Larreta, Sergio Massa, Javier Milei e Juan Grabois AFP A primeira votação do ciclo de eleições da Argentina acontece neste domingo (13): as prévias dos partidos políticos, conhecidas pela sigla Paso (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias). Como diz o nome, os partidos são obrigados a fazer prévias --mesmo que haja um único candidato e isso seja só uma formalidade--, e todas as frentes políticas passam pelas primárias em um único dia. Como funciona a votação nas Paso Ao chegar ao local de votação, o eleitor depara-se com distintas cédulas, cada qual pertencente a sua respectiva coligação política. O eleitor precisa escolher a cédula do grupo político da predileção dele para votar nas primárias dessa agremiação. As Paso servem como prévias e também indicam qual será o resultado das eleições, porque ao escolher a cédula da coligação de preferência os eleitores indicam qual vai ser o voto deles na corrida presidencial. Concorrência de verdade Em outras Paso, as coligações que realmente tinham chances eleitorais na corrida presidencial não tinham concorrência verdadeira nas Paso. “É a primeira Paso com uma concorrência real, e as duas maiores figuras políticas da Argentina, Cristina Kirchner e Mauricio Macri, estão fora da disputa”, diz Federico Zapata, cientista político da consultoria Escenarios. Ou seja: essas elieições têm o potencial de renovar a política argentina. O atual presidente, Alberto Fernández, até poderia concorrer, mas com baixa popularidade e sem apoio político nem mesmo entre seus correligionários, ele resolveu não se candidatar. Há pelo menos dois candidatos de extrema direita: Javier Milei e Patricia Bullrich. O governo brasileiro já deu sinais de que está preocupado com a ascensão da extrema direita na Argentina –em maio, Fernando Haddad, o ministro da Economia, encontrou-se com Janet Yellen, a secretária do Tesouro dos Estados Unidos. Na saída do encontro, ele disse o seguinte: “Estamos muito preocupados com o destino político da Argentina, sobretudo a luz do que vem acontecendo no nosso continente. Recentemente, tivemos uma vitória expressiva da extrema-direita chilena (ele se referia à votação dos novos constituintes no Chile). O subcontinente continua sofrendo ação de grupos extremistas”. Recentemente, o ex-presidente Jair Bolsonaro deu apoio a um dos candidatos de extrema direita, Javier Milei. Veja abaixo quais são as principais coligações nessas eleições e quais são as escolhas que os eleitores têm para decidir quem será o cabeça de chapa em cada caso. Juntos pela Mudança Essa é a primeira vez que nas Paso há uma disputa importante: na principal frente de oposição, Juntos pela Mudança, concorrem os seguintes pré-candidatos: Horacio Larreta, prefeito de Buenos Aires e Patricia Bullrich, ex-ministra da Segurança. União pela Pátria A frente política governista também tem dois candidatos, mas um deles, Sergio Massa, é o franco favorito. A coligação chama-se União pela Pátria --é, essencialmente, o grupo atual dos peronistas (herdeiros políticos de Juan Domingo Perón, um político dos anos 1950). Os candidatos são: Sergio Massa, ministro da Economia e Juan Grabois, um dirigente partidário. A Liberdade Avança Há uma terceira candidatura não qual não há disputa nenhuma, a frente de extrema direita A Liberdade Avança. O principal político é o único nome da frente. Javier Milei, deputado federal. O que dizem as pesquisas Os institutos de pesquisas apontam números muito diferentes, o que, de acordo com o consultor Zapata, se deve a uma tendência de apenas pessoas mais ligadas em política responderem com precisão as perguntas. Na média das pesquisas das consultorisa Atlas Intel e Management&Fit, os números são os seguintes: Sergio Massa: 25,85% Juan Grabois: 6,9% Patricia Bullrich: 19,3% Horacio Larreta: 15% Javier Milei: 18,55% Por essas projeções, Sérgio Massa até sairia como o vencedor das Paso, mas, potencialmente, Patricia Bullrich teria mais chances de ser eleita, porque a coligação dela é a que tem a maior porcentagem de votos. O consultor político Zapata afirma que acredita que há problemas com as pesquisas pois há uma sobrerepresentação dos eleitores mais convencidos, especialmente os de Milei e Bullrich, e que pode ser que os eleitores de centro --até mesmo peronistas-- votem em Larreta para evitar que Bullrich seja a candidata mais forte nas eleições presidenciais. Além do resultado da coligação Juntos pela Mudança, ele afirma que é preciso ficar atento ao tamanho da votação em Sérgio Massa, pois, caso não seja uma liderança muito grande, ele não terá embalo nas eleições e pode desidratar rapidamente.

source https://g1.globo.com/mundo/noticia/2023/08/13/entenda-como-as-eleicoes-deste-domingo-determinam-a-escolha-do-proximo-presidente-da-argentina.ghtml
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