Entenda estudo da Unicamp que mostra ganho de massa muscular igual para quem valoriza a carga ou nº de repetições na musculação


Pesquisa publicada na revista Metabolites diz que os dois tipos de treino atigem o mesmo resultado. Profissionais ouvidos pelo g1 destacam importância de biotipo e alimentação. Pesquisadores da Unicamp acompanharam voluntários que praticaram diferentes tipos de treino Antoninho Perri/Unicamp Um estudo realizado pela Unicamp mostra que o ganho de massa muscular é igual para quem valoriza carga ou número de repetições durante treinos de musculação. A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e publicada na revista Metabolites em fevereiro deste ano, considera que os dois tipos de treino provocam a mesma hipertrofia e estresse metabólico, este medido pela análise de substâncias liberadas no sangue após o esforço físico. Em meio ao "tanto faz" sugerido pelo estudo, profissionais da educação física destacam orientações que consideram o biotipo nas academias e cuidados com a alimentação. Veja abaixo detalhes. O que diz o estudo? Os pesquisadores acompanharam ao longo de oito semanas 18 indivíduos submetidos a diferentes protocolos de treino, mas o biotipo - termo referente às características físicas herdadas geneticamente - foi desconsiderado durante as análises. O experimento feito duas vezes na semana foi composto por dois exercícios em três séries para treino de quadríceps, uma das maiores musculaturas do corpo, na parte da frente das coxas. No treino de alta carga, os participantes carregaram até 80% do próprio peso, e no de resistência o índice chegou a 30%, mas com repetições realizadas até a exaustão. "Os dois grupos ganharam a mesma quantidade de massa muscular, teve um pouquinho mais de vantagem para o grupo que treinou com carga alta, com grande esforço. Foi investigado o que a gente estava olhando em termos de ativação muscular, reagrupamento do músculo, e respostas metabólicas. Teve maior ativação muscular no grupo que treinou com carga alta, e de forma geral não houve diferença nos marcadores metabólicos que nós investigamos", explicou o professor do curso de educação física da Unicamp Renato Barroso, orientador da dissertação de mestrado. De acordo com ele, existe uma forma de ativar os músculos pelos chamados disparos elétricos. A teoria é que o cérebro manda a informação para o músculo e então depende de quais fibras musculares são ativadas, já que cada uma é voltada para determinada tarefa - força ou repetições. Conforme algumas cansam, elas são substituídas por outras e há um esquema de revezamento. Doutorando em educação física, Denis Fabrício Valério participou de todas as etapas do mestrado e segue com pesquisas na área de concentração biodinâmica do esporte e movimento. "Continuo pesquisando sobre musculação e resposta hipertrófica. No entanto, em uma linha um pouco diferente da que foi abordada em meu mestrado. Estamos desenvolvendo pesquisas com responsividade e efeito placebo no treinamento de força", afirmou ao g1 ao ponderar que o assunto não está esgotado. Experiências práticas Rebeca Silva é estudante de educação física, faz musculação desde novembro de 2022 e contou que o objetivo sempre foi ganhar massa muscular. "A forma mais fácil de ganhar massa seria fazer menos repetições, numa faixa de seis a 12, para que consiga colocar uma carga maior, perto da sua repetição máxima, seriam 65% do RM [maior peso possível para somente uma repetição] porque você vai botar mais fibras para fazer aquela força", falou ao considerar primeiras mudanças em seis meses de treino. A estudante pesa 59 kg e explicou que sempre teve tendência a perder peso com mais facilidade. Ela já era vegetariana antes de começar a treinar e, por isso, ela disse que o ganho de massa muscular é dificultado por conta da limitação no consumo de proteínas apesar do uso de suplementos. "Quando eu comecei a usar suplementos para entrar nessa parte de proteína, isso deu uma boa alavancada no meu ganho de massa”, ressaltou ao lembrar que a alimentação exclui fast foods, embutidos e ultraprocessados. Ao todo são seis treinos por semana, de 1h30 cada diariamente. De acordo com o personal trainer Layon Wilson Alves dos Santos, o treino tem que ser montado conforme o biotipo do aluno e por um profissional capacitado para elaborar protocolos de acordo com a rotina de quem pratica os exercícios para alcançar resultados positivos no tempo disponível. À reportagem, ele também explicou as características de cada biotipo e destacou recomendações de treino que costumam ser feitas para cada um quando o objetivo é ganho de massa muscular: Ectomorfo Pessoas com metabolismo acelerado, estrutura óssea pequena e dificuldade para ganhar massa. Tendem a conseguir mais resultados seguindo treinos com dias e descansos extras na semana, com menos volume e foco em exercícios mais intensos para ganhar massa muscular. Mesomorfo Pessoas com mais massa muscular, estrutura óssea grande e pouca gordura corporal. Quem possui esse biotipo corporal tem facilidade tanto para hipertrofia muscular, quanto para metabolizar gordura. O treinamento deve ser realizado de maneira intensa para gerar resultados. Endomorfo Pessoas com metabolismo lento, dificuldade para definir, maior gordura corporal, e com facilidade para engordar. O ideal para essa pessoa é começar com treinos de baixa intensidade e volume, assim como os ectomorfos, e elevar gradativamente a intensidade, respeitando a adaptação muscular e as evoluções cardiorrespiratória e metabólica. *Sob supervisão de Fernando Pacífico. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas.

source https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2023/07/16/entenda-estudo-da-unicamp-que-mostra-ganho-de-massa-muscular-igual-para-quem-valoriza-a-carga-ou-no-de-repeticoes-na-musculacao.ghtml
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