Insper substitui presidente após três meses e fala em ‘diferenças’ de prioridades

O Insper trocou seu presidente apenas três meses após o físico Marcelo Knobel, ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), assumir o cargo. A substituição, segundo o Insper, ocorreu por "diferenças quanto à priorização de alguns objetivos estratégicos". Quem assume agora é Guilherme Martins, que era diretor de Graduação desde 2020.

"De comum acordo", diz a nota do Insper, "ambas as partes decidiram que o melhor a fazer seria interromper o contrato". Segundo Cláudio Haddad, presidente do Conselho Deliberativo do Insper, "Knobel é um profissional de primeira grandeza, referência em sua área de atuação e por quem nutrimos um enorme respeito".

Professor nos últimos 30 anos e reitor entre 2017 e 2021 da Unicamp, Marcelo Knobel substituiu o economista Marcos Lisboa, que ficou dez anos no comando da instituição. Em entrevista ao Estadão quando assumiu o cargo, ele afirmou que pretendia ampliar a área de pesquisa da instituição, internacionalizá-la e buscar políticas de ação afirmativa.

O físico, reconhecido na área de pesquisas sobre nanomagnetismo, nunca havia estado no Insper e foi selecionado por uma empresa de headhunter. Procurado pelo Estadão para comentar sua saída, Knobel disse que "ao longo das semanas, surgiram algumas diferenças de opinião com o conselho e decidimos em comum acordo interromper o contrato". "Não muda em nada o meu respeito e admiração pelo Insper e com seu corpo de professores e funcionários, que com certeza continuará em sua trajetória de sucesso iniciada há quase 25 anos", afirmou.

Guilherme Martins é professor do Insper desde 2009 e já coordenou o curso de graduação em Administração, antes de assumir a diretoria de graduação. É doutor e mestre em Administração de empresas, na área de Gestão de Operações e Competitividade, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Knobel havia assumido o Insper após a instituição ter registrado, em meio à disputa eleitoral do ano passado, ofensas a Lisboa durante um ato de estudantes em apoio ao então presidente Jair Bolsonaro (PL). O físico, que à época expressou apoio ao então candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, e ao então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ao Estadão que não se preocupava com uma recepção pouco amistosa.

"Devemos buscar, na formação das pessoas e na discussão dentro da instituição, um diálogo aberto, com respeito pela opinião dos outros. Um diálogo civilizado baseado em evidências e práticas, não em crenças", disse ao assumir. "Esse é um caminho importante: saber conversar, entender o momento histórico, possibilitar que as pessoas possam ter opiniões diferentes dentro dos limites da ética."

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